"Pagine
corsare"
Libri
Todos os Corpos de
Pasolini
Luiz Nazario
OPINIÕES
DA CRÍTICA

Devemos ao escritor e crítico
Luiz Nazario o primeiro livro sobre Pasolini publicado no Brasil, Orfeu
na Sociedade Industrial (1982), e também as primeiras traduções
de obras que tratam do poeta e cineasta italiano, encontrado morto numa
esplanada do Idroscalo de Ostia na manhã de 2 de novembro de 1975.
Pode-se dizer que Orfeu, uma biografia sintética, foi sendo concluída
ao longo dos últimos 25 anos. Nenhum outro biógrafo de Pasolini,
de Enzo Siciliano a Fabio Pierangeli, escreveu tanto - e tão apaixonadamente
- sobre ele. É provável que nem mesmo na Itália outro
intelectual tenha estudado sua obra com tamanha dedicação
e transmitido esses conhecimentos a um número tão grande
de pasolinianos. No momento em que a Itália decide reabrir o processo
sobre o assassinato do autor italiano, o advento de Todos os Corpos de
Pasolini é mais que uma coincidência. É uma obra que
deveria ser lida em voz alta nos tribunais italianos, lembrando a injustiça
cometida contra um mito tratado como objeto da crônica policial,
não como uma lenda da cultura italiana, uma vítima de um
delito não casual, mas possivelmente de um atentado político.
A morte de Pasolini nunca foi suficientemente esclarecida. Há quem
sustente que outras três pessoas participaram do ato bárbaro
além de Pelosi, o único preso e condenado pelo assassinato.
Pasolini, radar em perpétuo movimento, como a ele se referiu Enzo
Siciliano, não foi capaz de captar os sinais do ragazzo di vita
que o conduziu à morte. Mas, ao contrário de outros biógrafos
de Pasolini, Luiz Nazario recusa-se a admitir que a morte do cineasta tenha
sido um suicídio por delegação ou que sua paixão
pelos subproletários parecia conter a irrefutável confirmação
de que se predispunha diariamente ao suplício, como defende Siciliano.
Nazario vai noutra direção. Diz que Pasolini experimentou
em seu corpo uma espécie de mutação antropológica.
E ela com certeza anunciou com 30 anos de antecedência os monstros
que hoje circulam pelas ruas.
Antonio Gonçalves
Filho – O Estado de S. Paulo
Uma visão completa
e complexa de Pasolini.
Marco Lucchesi – Biblioteca
Nacional
A estética pasoliniana
em revisão completa
Resgatar Pier Paolo Pasolini
do peso sensacionalista que se abateu sobre sua produção
é o que Luiz Nazario faz neste livro. Pesquisa, informação,
avaliação e interpretação percorrem o corpus
imenso das obras completas do inesgotável universo artístico
de Pasolini: mais de 16 mil páginas de poemas, romances, contos,
crônicas, ensaios, peças, roteiros e cartas, ao lado de 26
filmes, traduções, desenhos, pinturas, músicas, entrevistas
e performances compõe sua arte. A riqueza é tamanha que os
dicionários estarão incompletos se não incorporarem
o adjetivo pasoliniano para definir uma estética de sacralização
dos corpos populares, uma moral radicalmente humanista, uma erótica
avessa aos disfarces e um estilo de vida libertário.
Estadão on line,
28 de agosto de 2007
LUIZ NAZARIO doutorou-se
em História pela Universidade de São Paulo com a tese
Imaginários de Destruição: O Papel do Cinema na Preparação
do Holocausto. Desde 1997 é professor-adjunto da Escola de Belas
Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, onde dirigiu os filmes Sexo-verdade
(2000); Desdobraduras (2000); Debate (2001); A Flor do Caos (2001, Prêmio
Projeto Experimental da smc-pbh); Selenita Acusa! (2001, Prêmio Estímulo
da acm/Cemig) e Prisioneiros do Planeta Ornabi (2003). Crítico e
escritor, com ampla colaboração na imprensa, publicou, entre
outros, Da Natureza dos Monstros (Arte&Ciência, 1999); As Sombras
Móveis (Editora da UFMG/mídia@rte, 1999) e Segredos (Memória
Gráfica, 2001). Organizou as coletâneas Catálogo Filmoteca
Mineira (EBA, 2003); Os Fazedores de Golems (com Lyslei Nascimento, Fale,
2004) e A Cidade Imaginária (Perspectiva, 2004) e colaborou para
O Expressionismo (Perspectiva, 2002), organizado por J. Guinsburg; O Pós-Modernismo
(2005), organizado por J. Guinsburg e Ana Mae Barbosa e O Surrealismo (no
prelo), organizado por J. Guinsburg.
KATHARSIS
11 de novembro de 2005
Brasileiro escreve biografia
sobre Pasolini
http://www.katharsis.blogger.com.br/2005_11_01_archive.html
[...] Todos os Corpos de
Pasolini [...] foi escrito pelo crítico e professor brasileiro Luiz
Nazario e [...] retrata a vida deste grande cineasta. Refaz, por exemplo,
a noite de 2 de novembro de 1975, quando Pasolini foi morto de forma brutal.
O [...] cineasta saiu com um garoto de programa chamado Pelosi e foi transar
com ele [...] estacionando em um local deserto. Em certo momento, mais
três homens chegaram e, em meio a gritos de “comunista sujo” e “pedaço
de merda”, espancaram o cineasta; na fuga, Pelosi passou com o carro por
cima de Pasolini. Pasolini tinha uma vida dupla. De dia era um intelectual
e convivia bem nesse meio, mas à noite experimentava o outro lado,
o do subproletariado, que conhecera ao mudar-se de Bolonha para Roma e
viver cerca de dois anos na miséria, relatou Nazario em entrevista
a Duda Fonseca. Para o biógrafo, professor da Escola de Belas Artes
da UFMG, Pasolini [...] chocou as pessoas ao retratar a sociedade através
de uma sexualidade exacerbada. Ele considerava a sexualidade a própria
realidade e o sagrado uma dimensão do homem que, se renegada, causaria
alienação. Sua proposta era retirar o sagrado da Igreja.
Não queria deixar aos padres o monopólio do bem, afirmou
Nazario. Ele ressalta que, embora Pasolini tenha sido um grande artista
em várias vertentes, sua maior produção foi no cinema:
Ele dizia ter descoberto uma nova língua no cinema. Uma língua
feita com a realidade, concluiu Nazario.
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